Nova Iorque em Abril tem aquela coisa que só Nova Iorque tem: muda de estação de forma completamente abrupta, como se a cidade tivesse tomado uma decisão executiva e não tivesse paciência para a transição gradual. Uma semana cinzenta, outra semana com árvores em flor no parque e luz que dura até às sete e toda a gente na rua com aquela expressão de alívio colectivo. Voltei numa segunda-feira de Abril. Não para o apartamento Beckett, ainda. Essa conversa tinha sido tida em Lisboa, no domingo, com pastéis e mãos entrelaçadas: voltava para Nova Iorque, voltava ao trabalho, voltava à Lily. O resto, o como e o onde e o que é isto exactamente, era para construir devagar, com os olhos abertos, sem pressa e sem medo. Mas voltei. O porteiro abriu a porta antes de eu chegar à escada, como sempre. O lobby de mármore estava igual, com as flores enormes na mesa central. O elevador subiu em silêncio. E quando as portas se abriram, a Lily estava lá. Não era suposto. Não era planeado, o T
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