Há uma lei não escrita nas casas com crianças que diz que os sábados de manhã pertencem ao caos. Não ao caos destrutivo, ao caos bom, ao caos de vozes sobrepostas e cheiros de pequeno-almoço e alguém a correr no corredor com meias no chão de madeira com uma velocidade que devia ser impossível para quem ainda não tem as pernas compridas. O tipo de caos que é, quando se para para ouvir de verdade, o som mais bonito que existe. Estou na cozinha com o café, o primeiro, o sagrado, o que faço antes de qualquer outra coisa porque aprendi com a minha mãe que os dias que começam sem café não são dias, são sobrevivência, e ouço a casa acordar à minha volta. Do quarto da Lily chega música. Ela tem doze anos agora e toca piano com aquela seriedade que tem em tudo, não porque alguém a obrigue, porque decidiu que sim, porque aprendeu que as coisas que se escolhem de livre vontade são diferentes das que se fazem porque se deve. É uma peça que reconheço, Chopin, um nocturno, o que a professora lh
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