Ao entrar no apartamento, na quarta-feira de manhã, me deparo com uma mulher e Adrian no hall de entrada. Ela está exactamente às nove menos cinco a ser recebida pelo Thomas com aquela familiaridade de quem entra nesta casa há anos e sabe exactamente o que é seu e o que considera que é seu.É alta. O tipo de altura que é cultivada, que vive em cada centímetro da postura, em cada ângulo do queixo. Cabelo loiro-acinzentado, impecável, cortado com aquela precisão dos salões mais caros. Roupa de um cinzento que não é comum, é o cinzento das revistas, o cinzento que tem nome próprio que eu nunca me lembro. Quarenta e tantos anos com a segurança de quem os viveu todos exactamente como quis.A mulher olha para mim quando entro.E sorri.Há sorrisos que aquecem. Há sorrisos que são neutros. E há sorrisos que são armas brancas com boa apresentação. O sorriso desta mulher definitivamente pertence à terceira categoria.— Você deve ser a nova professora — diz. A voz é modulada, suave, com um
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