Daniel Ferreira tem trinta e um anos, é arquitecto, tem o sorriso de um anúncio de pasta de dentes e os ombros de alguém que frequenta o ginásio com seriedade. Fala português com sotaque de São Paulo, veio para Nova Iorque há três anos, como eu, pelo mesmo motivo vago que traz os portugueses e os brasileiros a Manhattan: porque parece que é aqui que as coisas acontecem.Conheci-o no café da esquina, na fila, quando ele pediu um galão e a barista não sabia o que era e eu, por solidariedade linguística e saudade, expliquei.Ele agradeceu. Perguntou o meu nome. Perguntou se podia pagar o meu café.Deixei-o pagar o café.Fomos ao cinema na semana seguinte.A Mia recebeu esta notícia com uma energia que sugeria que eu tinha acabado de lhe anunciar que ganhei um prémio Nobel. Enviou trinta e dois emojis numa única mensagem. Perguntou se ele era bonito, se era inteligente, se cheirava bem, e, esta pergunta específica da Mia, "tem boa energia ou é daqueles que falam de si próprios a noit
Ler mais