VALENTINANo dia seguinte, fui obrigada a ir à universidade. Não podia me dar ao luxo de continuar perdendo aula. O semestre não esperava, e eu já tinha faltado demais por causa das náuseas, dos exames, do medo constante de desmaiar no meio do corredor.Saí do meu quarto já vestida, a mochila pesada no ombro, quando Leon apareceu no hall da entrada. Ele me observou com aquele olhar que aprendi a temer — atento demais, profundo demais.— Valentina — chamou, apoiando a mão no corrimão. — Podemos conversar um minuto?Olhei para o relógio. Meu coração disparou.— Senhor Leon, depois, quando eu chegar, tudo bem? Estou com medo de me atrasar para a aula.Ele franziu a testa.— São só cinco minutos.— É que eu tenho que… — gaguejei, os dedos suados apertando a alça da mochila. — …eu esqueci um trabalho da universidade dentro do quarto. Não posso sair daqui sem ele, desculpe senhor…Leon cruzou os braços, mas não insistiu.— Está bem. Depois, então.— Boa noite — respondi, apressada, e entrei
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