Fim de tarde no parque. O vento empurra cheiros de grama molhada e pipoca, e a luz baixa acende um dourado que parece inventado só para eles. Santino vem à frente — camiseta simples, boné amassado, a filhinha nos ombros. As perninhas pendem, os sapatinhos batucam no peito do pai, e as mãos pequenas se enroscam no boné.— Mais alto, papai! — ela pede, e ele ergue um pouco mais, rindo. — Mais alto só quando você prometer que vai comer o brócolis do jantar, senhorita Lucchesi. — Prometo nada! — ela gargalha, cúmplice.Do lado, Júlia empurra o carrinho. O menino mais novo dorme pesado, boca entreaberta, o punho fechado como se segurasse um sonho. Júlia o observa por um instante, ajusta a mantinha num gesto automático e, depois, levanta o olhar para o homem e a menina que recortam a tarde em uma sombra só.— E então? — ela puxa assunto, voz macia. — Como foi a seletiva hoje? — Melhor do que eu esperava. Três garotos e uma garota. A menor de todas tem um jab que corta o ar. Chama Aline.
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