A ilha era um ponto de verde e areia no meio de um azul que não acabava. A lancha se afastou e, com ela, todo o resto: tribunais, manchetes, vozes. Ficaram o vento, o rumor insistente das ondas quebrando em arcos, o sol que dourava a pele e a promessa mansa de que, ali, ninguém os encontraria.A casa era de madeira clara, aberta, quase toda feita de portas que corriam. Tecidos brancos dançavam com a brisa; o cheiro de sal entrava sem pedir licença. Júlia tirou as sandálias e afundou os pés na areia morna, olhos semiabertos, deixando que o mar a recebesse. Santino veio atrás, devagar. Tocou-lhe a nuca com os dedos, como se confirmasse que ela estava mesmo ali.— Bem-vinda à nossa ilha — ele murmurou, e a frase foi mais juramento que frase.Passaram o dia sem hora: mergulhos longos, risadas que estouravam e sumiam no vento, o gosto de fruta madura na boca. Quando o sol começou a se inclinar, o céu tomou uma cor de manga e a água ficou metal líquido. Júlia sentou-s
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