O salão do tribunal estava lotado. Câmeras se espremiam entre advogados, repórteres cochichavam em busca de manchetes rápidas, e a população se acotovelava para assistir ao espetáculo de um júri que mais parecia um ringue.Júlia Milano entrou como quem atravessa fogo. O terno cinza impecável contrastava com o batom discreto, e os cabelos presos num coque firme denunciavam disciplina. Mas era nos olhos que estava sua força — um olhar sereno, firme, que não deixava espaço para dúvidas.Do outro lado, o promotor Álvaro Diniz ajeitava a gravata, o sorriso confiante estampado como se já tivesse vencido antes mesmo de começar. Ele sempre fora midiático, calculista, e agora, diante das câmeras, fazia questão de se portar como a personificação da justiça.Santino foi trazido pelos oficiais, algemado, e ao vê-lo, Júlia sentiu a garganta apertar. O rosto ainda trazia resquícios da agressão na prisão: um corte mal cicatrizado no supercílio e hematomas ao redor do maxilar.
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