O dia seguinte acordou como se alguém tivesse baixado o volume da cidade. Os carros passavam, as notificações chegavam, a imprensa rondava — mas Santino desapareceu do som. Nenhuma mensagem, nenhuma ligação, nenhum “tô aqui”. Ele treinou cedo, sem música, sem plateia. Alongou até doer, bateu manopla até a pele arder, correu no estacionamento vazio do prédio com o capuz na cabeça e o celular no modo avião.— Hoje sem rede, sem entrevista, sem nada — avisou ao Lorenzo. — Diz que eu tô focado. E que fiquei mudo.No vestiário, encarou a própria imagem no espelho: barba por fazer, olheiras fundas, o olhar de quem entrou num lugar que não tem cadeira. Abriu a câmera do telefone, escreveu “eu espero”, apagou, trocou por “foco”, não enviou. Guardou o aparelho de volta na mochila, como quem decide não pegar em arma.À tarde, recusou o almoço com os amigos, fechou a porta da sala de sparring e ficou em silêncio ouvindo a própria respiração até o mundo ficar um pouco menos
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