RETORNO DOS MORTOSDONOVANNunca imaginei que um homem pudesse morrer perante a lei, ser enterrado pelas estatísticas e voltar a respirar o ar da existência civil meses depois. A última semana foi um borrão de tribunais, escritórios de consulado e o eco persistente das minhas digitais sendo comparadas com o nada. O processo de "desmorte" é, curiosamente, muito mais exaustivo do que o ato de morrer, que, pelo que me contam, foi apenas um segundo de escuridão.Agora, no interior do jato que me leva de volta a Nova York, o silêncio é o meu único companheiro, além do álbum de fotografias que meu pai me entregou antes da decolagem.Abro a capa de couro gasta e, a cada página, sinto um choque elétrico percorrer o meu sistema nervoso. Vejo rostos que deveriam ser familiares, mas que me observam como se eu fosse um intruso na própria história. Há fotos de aniversários, viagens de negócios, celebrações onde todos parecem felizes, enquanto eu — o homem de terno impecável e olhar distante — tent
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