SOFIA A porta do quarto fechou-se com um clique suave, selando-me em um silêncio que, até poucos minutos atrás, eu acreditava ser o meu refúgio definitivo. Agora, porém, o silêncio era uma emboscada. Apoiei as costas na madeira sólida da porta e deslizei até o chão, sentindo o tapete felpudo sob as minhas mãos. Meus dedos ainda formigavam pelo contato com os álbuns de fotos que eu acabara de entregar a Damien. Aqueles livros, que contavam a história de um amor que eu acreditava ter sido enterrado junto com os ossos de um desconhecido, pareciam agora objetos de um tempo que não me pertencia mais.Donovan está vivo. A frase repetiu-se na minha mente, mas não com a euforia que eu deveria sentir. Veio acompanhada de uma náusea fria. Vivo, em Dubai, casado com outra mulher, sendo chamado por outro nome. Vivo, sem a menor ideia de que eu existo, de que Robby existe, ou de que a vida que ele construiu é um castelo de areia erguido sobre o trauma. Como ele pode ser feliz com outra? Como ele
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