ELENA SOFIA BIANCHIO que me despertou foi o silêncio.Não o silêncio do apartamento, que já se tornara quase palpável desde que eu atravessei aquela porta pela primeira vez. Esse eu já começava a me familiarizar. Era um silêncio denso, opressivo, elaborado, repleto de superfícies impecáveis e normas invisíveis. O que realmente me acordou naquela manhã foi algo distinto. Um vazio mais penetrante, mais inquietante. Como se alguém houvesse eliminado o ar das paredes.Abri os olhos lentamente, ainda presa à borda de um sono leve, e por um momento não consegui compreender onde estava. As memórias retornaram em camadas. O hotel, o disparo, o corredor, Matteo Vasari me fitando como se eu tivesse entrado na vida dele pela porta errada. Depois vieram o apartamento, a manhã, as frases curtas, o peso da verdade oculta em uma casa sem identidade.Pouco a pouco as memórias mais recentes começaram a me invadir. A conversa que tivemos pela manhã de ontem, seu sumiço repentino em seguida. O silêncio
Ler mais