Capítulo 2Os passos de Lara sobre o mármore negro da cobertura pareciam anunciar sua própria rendição. Cada clique dos saltos ecoava como um veredito. O contrato que acabara de assinar ainda queimava em sua bolsa, mas eram as palavras de Enzo que realmente a marcavam na pele: “Você não vai mais carregar o peso dessa família sozinha.”Ninguém nunca havia dito isso a ela sem querer algo em troca. E Enzo Ravelli, ela sabia, queria tudo.O elevador privativo a deixou diretamente no quadragésimo segundo andar. Quando as portas se abriram, o ar mudou. Luxo frio, impessoal e absurdamente masculino. Vidros do chão ao teto, mármore negro, um perfume amadeirado e caro pairando como uma assinatura invisível. Lara sentiu-se uma intrusa. Uma mancha num quadro que não fora feito para ela.Enzo estava de costas, junto à parede de vidro, observando São Paulo sangrar em tons de laranja e vermelho. Mesmo imóvel, ele dominava o ambiente inteiro.— Entre — ordenou, sem se virar. — E feche a porta.O cli
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