Capítulo 9Enzo bloqueava o caminho como uma muralha viva, o corpo tenso, os músculos dos ombros visivelmente contraídos sob a camisa fina. Seus olhos negros queimavam com fúria contida.— Saia da minha casa — ordenou ele, a voz baixa, mas carregada de uma ameaça mortal. — Agora.Helena riu. Um riso seco, amargo, que ecoou pelo espaço luxuoso como vidro quebrando.— Sua casa? — repetiu ela, inclinando a cabeça. — Até onde eu sei, minha filha ainda mora aqui. E eu tenho todo o direito de visitá-la. Não é, Lara?Lara estava alguns passos atrás de Enzo, o robe apertado contra o corpo como uma armadura frágil. Seu coração batia descontrolado. A mulher à sua frente, maquiada impecavelmente, cabelo preso em coque perfeito, vestido caro demais para alguém que alegava estar falida, não parecia a mesma que fingira infarto no dia anterior. Era como se duas faces de Helena existissem ao mesmo tempo.— Mãe... por favor — murmurou Lara, a voz rouca. — Vá embora. Não quero mais isso.Helena deu um
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