POV: JADE O elevador privativo subiu em silêncio. Não havia o solavanco do elevador de carga nem o cheiro de graxa que ainda parecia grudado em mim desde Cubatão. Quando as portas se abriram direto na sala de estar, encontrei um lugar que só conhecia por fotos. Era a cobertura dele. A verdadeira. Não a que a polícia tinha encontrado, mas a que ele ainda conseguia manter escondida. O chão de madeira de lei estava encerado, brilhando sob o reflexo dos lustres de cristal. Um terraço imenso se abria além das portas de correr de vidro duplo, mostrando a silhueta escura dos prédios da Faria Lima contra o céu roxo de São Paulo. Na bancada da cozinha americana, de mármore preto absoluto, as canecas brancas descontinuadas estavam organizadas em fileira, impecáveis, como se a rotina dele nunca tivesse sido interrompida por invasões ou tiros. Eu dei três passos lentos para dentro da sala, sentindo o peso do meu tênis sujo de poeira e lama seca marcar o tapete felpudo cinza. Eu me sentia des
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