POV: RAFAELA chuva de Cubatão começou a diminuir de ritmo, as batidas fortes nas telhas de zinco virando um chiado mais leve e espaçado. O silêncio que sobrou no galpão, depois que o Neto desligou o telefone de satélite, parecia espesso. Guedes tinha acabado de acomodar Rayssa no banco de trás do Corolla. Ele queria a menina fora do ar úmido e cheio de poeira de alumínio do galpão principal, deitada no estofado plano enquanto ele limpava o resto do sangue da bancada de pinho. Igor continuava deitado no colchão do canto, a respiração lenta, dopado pelos remédios.O perigo imediato tinha sido estancado ali, mas o ar do galpão parecia sem oxigênio.— Preciso de ar — falei.Não esperei que ela respondesse. Empurrei a folha de metal da porta de serviço e saí para o pátio de brita.O vento da serra bateu frio no meu peito, limpando o cheiro de hospital improvisado da minha camisa preta. A tempestade tinha ido embora, deixando o céu de Cubatão com aquele roxo escuro, quase limpo, onde o bri
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