POV: RAFAEL O Corolla ainda cheirava à chuva de Cubatão quando entrei no banco do motorista, três dias depois de ter deixado o carro ali. Igor esperava encostado na lataria, o braço já fora da tipoia e apenas um curativo fino sobre o ombro. Ele não devia estar de pé, muito menos numa operação, mas discutir com ele seria um luxo de tempo que eu não tinha. — Você devia estar em repouso — falei, mesmo assim. — Eu devia estar morto, chefe, e não tô — ele respondeu, entrando no banco de trás com uma careta que desmentia a confiança da voz. — Prefiro dirigir mancando do que ficar sabendo por rádio que vocês dois morreram numa fazenda enquanto eu assistia notícia. Jade entrou no banco do passageiro sem dizer nada, o rosto fechado na concentração de quem já tinha decidido, antes mesmo de eu ligar o motor, que não ia ficar pra trás dessa vez. A viagem até Itapetininga levou duas horas de rodovia, a paisagem mudando de concreto pra pasto, de pasto pra plantação, até a terra ficar
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