LorenzoMais um sábado chegou. Mais uma manhã em que a claridade invade as janelas da minha cobertura como uma acusação, lembrando-me de que o tempo continua avançando, indiferente à bagunça que se tornou a minha vida. Eu não sabia o que fazer. Estava perdendo o controle de mim mesmo, preso em uma espiral de confusão, culpa e negação. A única certeza que martelava o meu crânio, desde o segundo em que abri os olhos, era um desejo visceral, quase doentio: eu precisava ouvir a voz dela. Precisava escutar o tom suave da Samanta, nem que fosse para ouvi-la me xingar, gritar ou chorar. Qualquer coisa era melhor do que esse silêncio ensurdecedor.Caminhei até a sala a passos lentos, o corpo pesado pelo cansaço e pela noite mal dormida. A garrafa de Macallan continuava lá, um refúgio amargo e fácil. Servi uma dose generosa no copo, o som das pedras de gelo estalando contra o cristal sendo o único ruído no ambiente deserto. Sentei-me no sofá e encarei o copo, me questionando pela milésima vez.
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