Lorenzo
O som do gelo estalando contra as paredes de cristal do copo era o único ruído constante que preenchia o silêncio daquela cobertura. O líquido âmbar do uísque desceu queimando a minha garganta, mas o calor ardente no peito já era anestesiado. Perdi a conta de quantas doses eu havia tomado desde que o sol havia sumido no horizonte, assim como perdi a conta dos dias que se arrastavam da mesma forma monótona, cinzenta e sufocante.
Desde o dia em que o mundo desabou na minha sala na SafeTec