LorenzoOs últimos meses não foram apenas difíceis; foram uma tortura lenta, calculada e diária. Cada segundo sem a Samanta parecia uma lâmina afiada rasgando a minha pele. O silêncio do meu apartamento, antes um refúgio de poder e controle, transformou-se no meu pior pesadelo. Eu não conseguia dormir, não conseguia focar nas reuniões da Safetech e, acima de tudo, não conseguia tirar da cabeça a imagem dos olhos dela marejados na última vez em que a vi.O telefone sobre a mesa de centro vibrou, tirando-me do transe. Antes do segundo toque, eu já o tinha em mãos.— Diga que você tem algo concreto, David — exigi, a voz rouca pelo cansaço e por noites maldormidas regadas a uísque puro.Do outro lado da linha, o suspiro do meu investigador particular não foi animador, mas o tom trazia uma urgência diferente.— Lorenzo, consegui confirmar a rota de saída do país — David disse, direto ao ponto. — Ela não usou o nome verdadeiro nos embarques comerciais tradicionais no início, mas cruzamos os
Ler mais