Eu não lembro de ter sentado.Uma hora eu estava em pé no meio do quarto destruído, com a foto de Sophia na mão e a carta queimando na minha mente. Na outra, eu estava no sofá da sala, com os braços cruzados sobre o peito, as pernas encolhidas, o olhar fixo na janela escura lá fora.Não sei quem me trouxe para cá. Não sei quanto tempo passou.A Sra. Winters colocou uma xícara de chá na mesa ao meu lado. O vapor subia em espirais finas, dançando sob a luz do abajur. Eu não bebi. Não conseguia. Minhas mãos tremiam demais para segurar a xícara. Meus dentes batiam um contra o outro, mesmo sem frio. Meu coração batia tão rápido que eu podia sentir o sangue pulsando nas têmporas, nos dedos, nas pontas dos pés.Sophia.A imagem da minha filha não saía da minha cabeça. Ela na escola, com o uniforme azul e branco, a mochila de unicórnio nas costas, as tranças tortas que Gustavo nunca aprendia a fazer direito. Ela no parque, no balanço, os cabelos voando ao vento, a boca aberta num riso que eu
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