O corredor do hospital estava vazio quando Maximus saiu para atender o telefonema. Apenas eu, Camila, os monitores apitando baixo e o silêncio pesado da madrugada. O relógio na parede marcava 2h47. Mas minha cabeça não saía daquela manhã, no hotel, com o gosto de uísque na boca e a memória do beijo de Maximus ainda ardendo na pele.Eu me levantei da cadeira. As pernas estavam dormentes. Andei até a janela. Lá fora, o estacionamento do hospital estava vazio, iluminado por refletores amarelos. O mundo parecia suspenso. Como se nada mais existisse além daquelas paredes brancas, aquele cheiro de álcool e aquela mulher inconsciente na cama.Camila não se mexia. A respiração era calma, quase serena. Os fios saíam do seu corpo como raízes de uma planta doente. O soro pingava devagar, compassado, um som que eu já tinha aprendido a ignorar.Sentei novamente na cadeira ao lado da cama. Apoiei os cotovelos nos joelhos. Enterrei o rosto nas mãos.Helena, o acidente, os freios adulterados, a tenta
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