“E aí meu pai sentou no trono, interino bonitinho”, comento, meio seco.“Até que Eron se recupere”, ele repete. Mas o jeito que ele fala “até” é tão cheio de dúvida que dá pra ouvir o “se” escondido embaixo.Ele muda de rumo antes que eu possa cavar mais.Começa a falar de hierarquia: alfa, beta, gama, ômega, isso, aquilo. Quem manda, quem obedece, quem guarda, quem cura. E eu ali, anotando mentalmente: organograma da empresa Lobo S.A.“Então vocês são tipo uma empresa com pelos e garras”, comento. “Cada um com seu crachá.”Dessa vez ele solta um “hm” que parece um quase riso.“Se ajuda a entender, pode pensar assim”, responde. “Mas aqui, não é o cargo que faz o lobo. É o lobo que determina o lugar.”É sério que ele mandou essa frase de efeito? A luz baixinha devia apagar, tocar uma música de fundo, qualquer coisa.“É, bom… até hoje só determinaram que eu sou ‘fraca, descontrolada e problema ambulante’”, rebato.Ele não pisca. Só fica me encarando com aquele olhar de quem enxerga por
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