"O perdão não apaga as cicatrizes da rejeição, mas corta as correntes que me prendiam ao veneno de quem deveria ter sido meu porto seguro." Luccas Ashford O subúrbio de Manhattan sempre teve um cheiro específico: uma mistura de asfalto quente, gordura de fritura e a poeira das obras que meu pai trazia nas botas. Estacionamos o carro diante da casa de pintura descascada. Victória apertava o volante com tanta força que os nós de seus dedos estavam esbranquiçados. — Você está pronto, Luccas? — Vic perguntou, a voz carregada de uma tensão que eu conhecia bem. Ela sempre foi meu escudo, e me defendia em casa, mas hoje, eu carregava a minha própria defesa. — Mais do que pronto, maninha. Chegou a hora de parar de fugir dessas assombrações — respondi, segurando minha bengala com firmeza. Entramos sem bater. O som da TV ligada em um programa de auditório qualquer preenchia a sala pequena, entulhada de móveis velhos e o cheiro doce dos bolos da minha mãe. Minha mãe, Susan, estava na mesa
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