Enzo Romano Eu aprendi tarde demais que a pior prisão não tem grades. Ela se constrói em silêncio, dentro da gente, com cada olhar atravessado, cada palavra atravessando a alma como se fosse uma lâmina fina demais para sangrar no mesmo instante. Meu nome é Enzo Romano, e por muito tempo eu fui apenas aquilo que os outros esperavam que eu fosse — um reflexo polido, aceitável, correto. Nunca eu. Cresci em um mundo que dizia que amar devia seguir regras, que sentir precisava caber em moldes, que existir só era permitido dentro de limites invisíveis, porém rigidamente impostos. E eu tentei. Deus, como eu tentei. Vesti máscaras que não me pertenciam, engoli vontades, calei verdades que gritavam em mim como um incêndio prestes a consumir tudo. Talvez você entenda — talvez você também esteja cansado de sustentar um personagem que não é seu. O problema das máscaras é que, com o tempo, elas grudam na pele. A gente começa a esquecer como é respirar sem elas, como é sentir o vento no ros
Ler mais