POV Katerina Sokolov O telefone criptografado vibrou sobre a mesa de cabeceira, o som metálico cortando o silêncio pesado da cobertura como um bisturi. Eu estava sentada na poltrona, envolta na penumbra, com uma das camisas de Nikolai sobre os ombros. O brilho da tela iluminou o meu rosto pálido, revelando um número que eu conhecia tão bem quanto as cicatrizes do meu corpo. O número de Victor. Olhei para o aparelho por longos segundos. O meu coração, que costumava disparar diante de qualquer menção a ele, permaneceu em um ritmo lento, quase fúnebre. Não havia mais medo. Não havia mais amor. Havia apenas o cansaço de quem já viu o fim do mundo. Atendi. — Fale. — A minha voz saiu seca, um monossílabo cortante que ecoou no quarto vazio. Ouvi a respiração dele do outro lado. Estava errática, pesada, o som de um homem que corria em círculos dentro da própria ruína. — Katerina. Não desliga. — A voz de Victor soou urgente, rasgada, carregada de um desespero que antes me faria atravess
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