POV Katerina Sokolov O ar dentro do Armazém 14 não era mais feito de oxigênio; era uma suspensão espessa de poeira, fumaça de uísque barato e o cheiro metálico de uma rendição que eu jurava, por todos os santos e demônios, que jamais aconteceria. O som da chuva contra o telhado de zinco, antes um ruído de fundo, agora se tornara uma sinfonia de escárnio. Cada gota que martelava o metal parecia um prego sendo cravado no caixão da minha dignidade. Eu estava arqueada sobre a mesa de mogno frio, a mesma mesa onde, minutos atrás, eu desenhava rotas de fuga com a precisão de uma cirurgiã. Agora, a única rota que importava era a que Victor Vance percorria dentro do meu corpo. A sensação era surreal e, acima de tudo, devastadora. Victor estava atrás de mim, uma massa de calor e força bruta que obliterava qualquer resquício da frieza que eu vinha cultivando nos últimos cinco meses. Eu sentia a
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