POV Katerina Sokolov O limite entre a vida e a morte não é uma linha desenhada no chão; é um corredor estreito, escuro e gélido, onde o som do mundo dos vivos vai se tornando um eco distante e distorcido. Eu estava caída sobre o piso de mármore do Palácio de Mármore, mas a sensação da pedra fria contra o meu rosto começava a desaparecer, substituída por uma dormência anestésica que subia pelas minhas pernas e braços. O ar entrava nos meus pulmões com um chiado úmido, borbulhando através do sangue que enchia o meu peito. A bala havia perfurado algo vital. Eu sabia disso. O meu corpo, treinado para a dor, reconhecia a falência dos próprios sistemas. A poucos centímetros de mim, a cena grotesca continuava a se desenrolar. A minha visão, antes afiada como a de uma águia, agora não passava de uma tela borrada, pintada em tons de cinza e vermelho. — Shhh, está tudo b
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