Melinda Estou sentada na cozinha, tentando comer a pizza de pepperoni que ele deixou na mesa. A cozinha é absurda, moderna demais, capa de revista, com uma bancada em mármore clara, geladeira imensa em inox, forno embutido que parece nunca ter sido usado, cafeteira que provavelmente custa mais que o meu salário de meses. Tudo tão limpo, tão organizado, tão fora da minha realidade que chega a ser sufocante.O cheiro da pizza, que ainda está com o queijo derretido, é tão bom, mas cada mordida desce como pedra. Não é fome que me domina, é a confusão.Damon.Ele me tirou daquele inferno, me defendeu, bateu em Tom sem pestanejar. Depois disse que eu podia ficar aqui e não pediu nada em troca. Não me tocou, não exigiu, pelo contrário, me cobriu com o roupão como se… como se eu fosse algo frágil, digno de cuidado. Então fugiu do quarto quase como se estivesse fugindo de si mesmo.A atitude dele me deixou atordoada, porque, pela primeira vez em muito tempo, alguém me tratou com algo pr
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