DamonO chão parece sumir. As imagens do rosto do velho, o sorriso cansado, a voz rouca dizendo que eu era forte, me pedindo para cuidar dela se embaralham. E eu prometi. Prometi. Me forço a ficar de pé, mesmo com as pernas vacilantes e a dor de cabeça absurda. Meu corpo parece querer desabar, mas eu aguento. Eu mereço sentir cada pontada, cada vertigem.— Ela passou por isso sozinha — murmuro, quase sem ar. — Sozinha, por minha culpa. — Ernesto tenta me segurar, mas eu o empurro de leve. — Não tente me impedir — digo, com os dentes cerrados. — Eu vou até ela.Ele balança a cabeça, resignado. — Então vai, mas, pelo amor de Deus, dessa vez, fala com o coração, não com a porra da raiva.Assinto. A raiva foi tudo que sempre me guiou, mas agora, pela primeira vez, o que me move é o medo de ter perdido a única pessoa que enxergou o homem por trás do lutador.E se for tarde demais, eu sei que vou carregar isso para sempre.Ernesto tenta me conter, mas não tem mais nada que me segur
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