POV: GUSTAVOTerminei de descer os últimos degraus da escadaria e o cenário no grande saguão já era exatamente o teatro de futilidades que eu havia previsto.De um lado, o meu pai, o velho Lacerda, com a sua postura rígida de ex-militar, encarava o painel de controle biométrico que o Caio instalou na entrada com um misto de aprovação tática e desconfiança. Ao lado dele, a minha mãe tentava, sem sucesso, manter uma conversa fiada com a mãe da Helena, Leonor, que parecia segurar a bolsa da Chanel como se estivesse prestes a ser assaltada por um dos meus homens da segurança.— Gustavo, finalmente — Leonor exclamou assim que me viu, estendendo o rosto para aqueles dois beijos falsos no ar que a alta sociedade de Lisboa adora. — Cruzar o portão desta casa virou uma experiência traumática. Que quantidade de homens armados é essa no jardim? Parece que estamos a entrar em um posto avançado da OTAN, não em uma residência de família.— Segurança nunca é demais no nosso mercado, Leonor — re
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