POV: GUSTAVO O cheiro de queimado e gás inerte ainda estava impregnado nas minhas roupas. Eu via a ambulância da Marina e do Caio dobrar a esquina com as sirenes ligadas, e um peso saía do meu peito. Tínhamos vencido. Olhei para a Helena ao meu lado; ela caminhava em direção ao carro com a postura de quem tinha acabado de conquistar o mundo, mas algo estava errado. A pele dela, que sempre teve aquele brilho de mármore polido, estava translúcida. — Helena? — chamei, estendendo a mão. Ela parou. Os olhos dela, geralmente afiados como lâminas, vacilaram. Ela tentou levar a mão à têmpora, mas o movimento foi lento, desconexo. — Eu só... a pressão deve ter caído, Gustavo — ela sussurrou. Em um segundo, o mundo dela desmoronou. Os joelhos da Helena cederam e a cor sumiu do seu rosto de uma vez só. Eu não pensei; meu corpo agiu por puro instinto de combate. Saltei para frente e a peguei no colo milésimos de segundo antes de sua cabeça atingir o asfalto. — Helena! Ei, olha para
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