Clara não abriu.A mão permaneceu sobre a maçaneta, gelada, imóvel, enquanto a campainha tocava mais uma vez.Do outro lado da porta, o homem não dizia nada.Era isso que tornava tudo pior.Um desconhecido insistente, parado diante da casa, sem chamar pelo nome, sem explicar o motivo, sem pressa de ir embora.Ricardinho apareceu no corredor com os olhos arregalados.— Mãe, quem é?Clara virou o rosto devagar, tentando controlar a respiração.— Eu mandei você ir para o quarto.— Mas...— Agora, Ricardinho.O tom dela saiu mais firme do que pretendia. O menino engoliu a reclamação, assustado, e subiu as escadas correndo.Clara esperou ouvir a porta do quarto se fechar. Só então voltou a olhar pelo olho mágico.O homem continuava ali.Grande. Parado. Paciente demais.O celular dela estava sobre a mesa da sala. Longe demais. Clara prendeu a respiração, calculando a distância. A campainha tocou de novo, e dessa vez veio acompanhada de duas batidas secas na porta.— André.A voz do homem so
Ler mais