Os dias seguintes passaram mais devagar do que o normal.Nada extraordinário aconteceu, mas tudo parecia mais pesado, como se o tempo tivesse decidido se arrastar de propósito.Clara tentou manter a rotina.Acordou no horário, levou o filho à escola, respondeu e-mails, participou de reuniões.Tudo como sempre foi.Mas nada funcionava como antes.A concentração falhava no meio de tarefas simples.As conversas perdiam o sentido antes de terminar.E, em algum momento do dia, o pensamento sempre voltava para o mesmo lugar.O exame.O resultado.O que viria depois.Em casa, a sensação não melhorava.André continuava circulando com liberdade, abrindo armários, decidindo pequenas coisas, ocupando espaços que antes não eram dele.Clara percebeu.Não comentou, mas percebeu.E isso começou a incomodar mais do que ela gostaria de admitir.Naquela noite, ela encontrou Ricardinho sentado à mesa com o caderno aberto.O lápis parado na mão.— O que foi? — perguntou, se aproximando.— Não sei fazer i
Ler mais