O relatório da psicóloga não ficou pronto naquele dia.Clara sabia que não ficaria. Doutora Elisa tinha explicado com calma que uma avaliação não se resolvia em uma única conversa, que seria preciso observar Ricardinho, ouvi-lo, talvez marcar outro encontro, talvez conversar com a escola.Mesmo assim, Clara passou a noite esperando.Esperando uma resposta que ainda não existia.Esperando Ricardo se manifestar.Esperando que alguma coisa, qualquer coisa, dissesse que ela ainda conseguia controlar uma parte da própria vida.Nada veio.Na manhã seguinte, ela acordou antes do despertador. Ficou olhando para o teto enquanto a casa permanecia silenciosa. Durante alguns segundos, esqueceu que André já não estava ali. Depois lembrou. E, estranhamente, não sentiu falta.Sentiu apenas o vazio que vinha depois da ameaça.Levantou-se devagar, foi até o quarto de Ricardinho e abriu a porta com cuidado. O menino ainda dormia, encolhido de lado, abraçado ao carrinho antigo que Ricardo tinha dado. Cl
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