69. Alice Benette
Acordar na manhã seguinte ao festival é como emergir de um sonho bom – daqueles que a gente queria que durassem para sempre, mas que inevitavelmente se desfazem quando a luz entra pela janela.O quarto está claro.A luz do Texas entra pelas frestas da cortina, grossa e dourada, e por um momento eu nem sei que horas são, nem sei direito onde estou. Apenas sinto o peso do braço de Marco sobre minha cintura, o calor do corpo dele contra minhas costas, a respiração lenta e profunda de quem ainda dorme.Eu me viro devagar.Ele está ali – desarmado, relaxado, os cabelos escuros caindo sobre a testa. A mandíbula que sempre parece tão tensa está solta agora, os lábios levemente abertos. Ele parece mais jovem quando dorme. Menos pesado. Menos assombrado.A mão dele ainda repousa sobre minha barriga, mesmo dormindo.Como se proteger os bebês fosse um instinto tão natural quanto respirar.Eu fico ali por alguns minutos, apenas observando, apenas sentindo o coração dele bater contra o meu ombro.
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