56. Alice Benette
Acordar na cama de Marco é como emergir de um sonho longo e bom – aquele tipo de sonho que a gente tenta agarrar ao abrir os olhos, mas os fios escapam pelos dedos como fumaça.O quarto está claro demais.A luz do Texas entra pelas frestas da cortina, grossa e dourada, e por um momento eu nem sei que horas são, nem sei direito onde estou. Apenas sinto o peso do braço dele sobre minha cintura, o calor do corpo dele contra minhas costas, a respiração lenta e profunda de quem ainda dorme.Ontem aconteceu. Nós acontecemos. O pensamento vem quente e me faz sorrir sozinha, de olhos fechados, como uma adolescente boba.Eu me viro devagar, com cuidado para não acordá-lo, e o vejo ali – Marco Hill dormindo, algo que eu nunca tinha visto antes. Ele sempre parecia tão tenso, tão fechado, tão no controle. Agora está solto. Os cabelos caem sobre a testa, a mandíbula relaxada, os lábios levemente abertos. Ele parece mais jovem. Mais leve. Parece em paz.A mão dele ainda repousa sobre minha barriga,
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