45. Alice Benette
Nunca imaginei que almoçar pudesse ser tão confortável.Talvez porque, pela primeira vez em muito tempo, eu não estivesse tentando provar nada para ninguém. Não precisava parecer forte, independente ou mostrar que tinha todas as respostas. Sentada à mesa da cozinha de Marco, observando-o reclamar porque eu havia colocado pimenta demais no molho enquanto ele fingia que aquilo era um crime gravíssimo, eu me senti estranhamente em casa.A casa dele era exatamente como eu imaginava.Rústica, conchegante e cheia de marcas de uso.Nada parecia ter sido comprado para impressionar alguém. Os móveis eram sólidos, de madeira escura, as paredes exibiam fotografias antigas do rancho e havia uma mistura constante de cheiro de café, terra e pinho que fazia tudo parecer vivo.Marco serviu mais um pouco de comida no meu prato antes mesmo que eu pedisse.— Eu consigo me servir sozinha, sabia?Ele nem levantou os olhos.— A médica falou para você descansar.— Ela não falou que eu perdi os braços.— Ain
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