O tempo passou, mas não como antes. Dessa vez, passou com intenção. Foram três meses de construção, sem pressa, sem atalhos, sem etapas puladas. E, aos poucos, Dandara foi se encontrando novamente.O som do tatame, que antes parecia estranho, tornou-se familiar. Virou rotina, tornou-se um espaço seguro. Ela ajustou o kimono e respirou fundo, concentrando-se no próprio corpo.— Lembra quando você disse que não ia nem entrar aqui? — a voz de Bernardo surgiu atrás dela.Dandara sorriu de leve.— Eu lembro de você insistindo.Ele se aproximou, já aquecido, completamente à vontade. Aquele sempre foi o mundo dele. Agora, começava a ser o dela também.— Eu sabia que você ia gostar.Ela virou-se para ele e sustentou o olhar.— Eu não gosto — disse, com calma. — Eu preciso.O sorriso dele mudou, mais contido, mais profundo.— Melhor ainda.O treino começou, e Dandara se movia com mais confiança. Ainda não era perfeita, mas estava presente, firme em cada movimento. Em determinado momento, errou
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