A dor de cabeça começou bem atrás do olho direito. Uma pontada fina. Elena abriu os olhos. O teto branco do quarto parecia fora de foco. A boca estava seca, com um gosto ruim de fim de noite e sono mal dormido. Ela virou o rosto no travesseiro. O relógio digital na mesa de cabeceira marcava seis da manhã. A ressaca não era de álcool. Era de humilhação. A lembrança voltou. O corredor. O barulho do zíper do vestido descendo. As costas indo de encontro na parede. A boca dele. A respiração quente, a força com que ele a encurralou. E depois, o nada. A forma como ele abotoou o paletó, olhando para o nada, chamando o que aconteceu de "falha". Ela empurrou o lençol e sentou na beirada do colchão. O ar condicionado estava no máximo, congelando a pele dos braços. - Falha - Ela repetiu para o quarto vazio. A voz saiu rouca. Ela esfregou o rosto com as duas mãos, sentindo a pele repuxar. Se ele queria um contrato, era exatamente isso que ele ia ter. Nenhuma coisa a mais. Elena levantou e f
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