Ele virou o corpo. Pegou o carrinho de plástico vermelho com cuidado e encaixou as quatro rodinhas de borracha no começo do trilho que ele tinha passado as últimas quatro horas alinhando.O polegar de Arthur apertou o botão verde na base da pista.O barulho do motorzinho zumbiu na sala. O carrinho disparou pela rampa, deu o loop impossível na curva e fez o trajeto perfeito, contínuo e silencioso, caindo na linha de chegada sem raspar na parede do rodapé.Arthur levantou o olhar devagar. - O conserto funcionou. Eu aprendi a usar a rosca da esquerda, Clara.Clara engoliu em seco. Ela desviou o olhar para o carrinho vermelho, recusando-se a amolecer.- Um brinquedo não apaga três anos, Arthur. Um carrinho não devolve os natais que eu passei num porão alugado.- Eu sei. - Arthur assentiu, o maxilar travando, engolindo a rejeição sem debater. - Mas é um começo.Às sete horas da manhã, o sol invadiu a vidraça da sacada.A maçaneta do quarto de hóspedes girou e a porta abriu devagar.Leo sa
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