O trajeto da mansão Dumont até o novo endereço foi uma procissão silenciosa de libertação, um rito de passagem que ambos aguardavam há meses. Enzo dirigia com uma mão firme no volante e a outra permanentemente entrelaçada à de Sophie, como se aquele contato físico fosse o único cabo de aço que os impedia de serem sugados de volta pela gravidade da antiga casa. Pelo retrovisor, o caminhão de mudança seguindo o carro parecia carregar não apenas móveis, mas os últimos vestígios de uma pele que eles precisavam trocar. Ali, lacrados em caixas, estavam os fragmentos de suas vidas que mereciam o transporte: os livros técnicos de Enzo, os tecidos caros de Sophie, as máquinas de costura que viram suas madrugadas de criação e os arquivos de uma vida que, embora marcada pela dor, agora buscava a cura. O interior do carro, por outro lado, estava limpo de bagagens; eles queriam chegar à nova vida despidos de pesos mortos, levando apenas o ar que respiravam e a promessa que haviam feito um ao ou
Ler mais