O sétimo e último amanhecer em Angra dos Reis trouxe consigo uma luz pálida, quase melancólica. Para Sophie, o sol que surgia no horizonte não era um convite ao prazer, mas o sinal de que o cronômetro havia chegado ao fim. O paraíso estava sendo desmontado, peça por peça, e a realidade da Mansão Dumont começava a se erguer à frente deles como uma muralha de concreto e segredos. Sophie acordou antes de Enzo. Ela permaneceu imóvel por um longo tempo, observando o peito do marido subir e descer. Ela queria congelar aquele momento — o cheiro de salitre, o som suave das ondas, a ausência da voz de Henrique. Ela precisava construir uma reserva de coragem para as próximas horas. Se ela queria proteger o que tinha com Enzo, precisaria ser a melhor atriz de sua própria vida. — Bom dia... — a voz de Enzo surgiu baixa, ainda rouca pelo sono. Ele a puxou para perto, enterrando o rosto na curva de seu pescoço. — Último dia. Eu daria metade das minhas ações para ficar aqui mais uma semana
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