O dia depois da festa sempre tem um silêncio estranho.Não é silêncio de verdade… o morro continua vivo, gente indo e vindo, moto passando, criança correndo. Mas depois de uma noite como a de ontem, tudo parece mais devagar.Mais leve.Ou mais vazio, dependendo de quem tá olhando.Eu acordei tarde.O sol já batia forte na janela quando levantei, ainda com a cabeça meio pesada de cansaço. O quarto tava com aquele ar de “ontem foi grande demais”, roupa jogada, tênis largado no canto, celular cheio de mensagem.Abri ele e já vi o caos.Carlos:“TU VIU MINHA PERFORMANCE ONTEM?? EU NASCI PRAQUILO”Bernardo:“mano eu quase morri na sua festa kkkkk”Carlos:“o DJ devia me pagar, eu fui o entretenimento oficial”Eu ri sozinho.Mas quando fui descendo as mensagens, o sorriso foi diminuindo sem eu perceber.Nenhuma dela.Valéria.Fiquei alguns segundos olhando o nome na cabeça sem aparecer nada novo.Não era cobrança.Era só… lembrança.A varanda voltou na minha mente do nada.O vento.O som di
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