Capítulo 68 O perfume de Samuel se espalhava pelo quarto, denso e envolvente. A respiração pesada dele parecia ecoar não apenas pelas paredes, mas também no íntimo de Lia, despertando algo que ela tentava, em vão, manter sob controle. Samuel não acendeu as luzes. Ele não precisava delas. A silhueta de Lia, banhada pela luz pálida da lua, era o único alvo que ele enxergava. Ele se aproximou com a calma de um predador que já sabe que a caça não tem para onde ir — e que ela, no fundo, não quer fugir. Ele a prensou contra a porta com o peso do próprio corpo, as mãos subindo para prender os pulsos dela acima da cabeça. Não foi um gesto de agressividade, mas de domínio. Ele precisava que ela sentisse que, naquele quarto, o mundo lá fora e as regras dela não existiam. — Você acha mesmo que pode passar o dia me provocando… me deixando louco de desejo… e sair ilesa? — ele sussurrou, a voz baixa e rouca o suficiente para fazer Lia estremecer. — Eu disse que não queria sentimentos, Lia… mas n
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