Capítulo 71 Samuel bebeu até que o mundo parasse de girar, ou até que a dor de cabeça fosse maior que a do peito. O uísque queimava, descia rasgando a garganta, mas não apagava as imagens. As mensagens no telão, Lia chamando-o de "idiota"... e os olhos dela. Aqueles olhos que, mesmo no meio do caos, ainda pareciam carregar uma verdade que ele se recusava a aceitar. Ele riu, um som seco e sem vida, batendo o copo vazio contra o mármore do bar. Passara a vida controlando riscos, prevendo traições, e fora derrubado por um par de olhos loiros e gemidos ensaiados. A noite passou como um borrão. Ele ignorou as chamadas da avó, recusou-se a falar com Daniel Avelar — que já tentava marcar reuniões para "alinhar o futuro" — e se isolou. Samuel não confiava mais no próprio julgamento, e isso era o que mais o torturava. Na manhã seguinte, o gosto amargo do álcool misturava-se à bile. Ele despertou com uma missão clara: purgar Lia Cooper de sua vida. — Sirius — chamou, a voz rouca e destruíd
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