MARÍLIA NARRANDO:Chegamos à sala, e a imagem da minha mãe, Mercedes, de pé e segurando a mão de minha tia Celina, me causou um aperto no peito. Minha tia estava sentada, tomando remédio, com o celular na mão. A governanta, Consuelo, estava perto delas, mas antes que eu pudesse processar qualquer coisa, Dmitri fez questão de expulsá-la. Seu grito foi tão forte que fez Consuelo saltar de medo, como um animal acuado.— Marília, minha filha, você está bem? — A preocupação no rosto de minha mãe me atingiu como uma flecha. Ela correu para me abraçar, e a culpa de deixá-la ansiosa me corroeu por dentro.— Estou bem, mãe. Desculpa não ter atendido suas ligações. — Minha voz saiu mais baixa do que eu gostaria, mas era o que eu podia fazer naquele momento.Dmitri se dirigiu até o bar e se serviu de uma dose de vodka pura. Em seguida, pegou outra, a raiva visível em cada movimento que fazia. Era como se ele precisasse da bebida para aguentar a pressão que estava sentindo.— Onde passou a noite
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