O cheiro de antisséptico do Toronto General Hospital nunca foi tão acolhedor. Para Ana Clara, estar ali, cuidando de Matheo, era a única forma de manter sua própria sanidade. Matheo estava em uma suíte particular, estável, mas o corpo ainda lutava contra o choque térmico das águas geladas do Ontário.Ela observava o monitor cardíaco — o ritmo dele era a música que a mantinha em pé. De repente, a porta se abriu. Não era um enfermeiro, mas um homem de terno cinza metálico, segurando uma pasta de couro legítimo. Dr. Arnaldo, o advogado pessoal de Alberto Cavalcanti, viera do Brasil.— Com licença, Dra. Souza. Sr. Cavalcanti — o advogado fez uma reverência rígida.— Se veio tentar algum acordo para o meu pai, pode sair — Matheo disse, a voz ainda rouca, sentando-se com dificuldade na cama.— Na verdade, não. Alberto Cavalcanti faleceu ontem à noite, na ala hospitalar da penitenciária. Um ataque cardíaco fulminante — o advogado soltou a bomba sem emoção.Ana sentiu um calafrio. O homem que
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