Helena saiu do apartamento com passos calmos. Sem pressa. Sem olhar para trás. O elevador chegou imediatamente. Ela entrou. As portas se fecharam. E só então — sozinha, com o reflexo dela mesma no espelho do elevador — o rosto mudou. A expressão vulnerável. A voz levemente trêmula. O olhar de mulher cansada e magoada. Tudo desapareceu. Como se alguém tivesse desligado uma luz. O que ficou foi ela. A Helena real. Ela olhou para o próprio reflexo. Ajeitou o cabelo com um gesto preciso. Respirou fundo. E sorriu. Não o sorriso que ela usava para Henrique. Não o sorriso que ela usava em eventos. Era outro. Frio. Satisfeito. O sorriso de quem acabou de executar exatamente o que havia planejado. O carro estava esperando na frente do prédio.
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