CHARLES KINGSTONAquela manhã começou exatamente como eu precisava: em completo silêncio.Depois de um fim de semana exaustivo, cheio de atuações, jantares em família e humilhações no restaurante Le Grand, estar de volta ao meu escritório era um alívio imenso. Aqui era o meu verdadeiro domínio. Aqui, não havia sogros falidos para me insultar, nem mentiras mirabolantes para sustentar na frente da minha esposa. Pelo menos, era isso que eu pensava até a porta do meu escritório ser escancarada sem nenhum aviso prévio.Levantei os olhos dos relatórios que estava assinando, com a repreensão já na ponta da língua. Mas quem estava na minha frente era Richard Kingston. Meu avô.Arthur apareceu logo atrás dele, ofegante e com uma expressão de desculpas.— Senhor Kingston, me perdoe, eu tentei avisá-lo, mas o senhor Richard se recusou a esperar na recepção... — Arthur começou a se justificar.— Saia, Arthur. Feche a porta e não deixe ninguém nos interromper — ordenei, sem desviar o olhar do vel
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