CHARLES KINGSTON No fim da tarde, deixei o prédio da empresa, o motorista como sempre me deixou um quarteirão antes de nosso prédio e caminhei o resto. Era uma das muitas inconveniências da minha vida dupla, fora o fato de que preciso trocar de terno sempre antes de voltar para não levantar suspeitas em Isabel. Assim que destranquei a porta do apartamento, o cheiro delicioso de comida caseira me recebeu. Deixei as minhas chaves e caminhei até a cozinha. Isabel estava lá, de costas para mim, mexendo algo no fogão. Me aproximei sem fazer barulho, passei os braços ao redor da cintura dela e deixei um beijo demorado no seu pescoço. Ela suspirou, abaixando o fogo, e virou o corpo para mim. Sem hesitar, os nossos lábios se encontraram. Desde o nosso encontro no sábado no parque, nós nos beijávamos sem nenhuma restrição. — Boa noite, marido — ela murmurou, sorrindo contra a minha boca. — Como foi seu dia hoje? — Foi um dia entendiante, esposa. Só fiquei assistindo bobagens, se so
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