NARRADORAAo entrar no carro, Julian não deu a partida de imediato. Ele ficou ali, parado, com as mãos apertando o volante com tanta força que o couro chegava a estalar. Ele encarava o espelho retrovisor com um olhar fixo, como se estivesse tentando domar o monstro que rugia dentro dele.Elena queria falar algo, mas a voz não saía. Um medo gelado começou a subir por sua espinha. Não era apenas o medo da bronca; era o trauma. A mente dela viajou por um segundo para as mãos violentas que já tinham cruzado seu caminho em Nápoles. Ela se encolheu de leve no banco, temendo que Julian pudesse ser igual aos homens que ela tentou deixar para trás.Julian percebeu o movimento. Ele a encarou por um segundo e, ao ver o brilho de pavor nos olhos dela, desviou o olhar em seguida, bufando de frustração. Ele nunca a vira tão acuada, e aquilo, por incrível que pareça, o irritou ainda mais.— Você está ferrada na minha mão, Elena — ele disse, com a voz carregada de desdém, sem olhar para ela. — Eu esp
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